quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quebra de Paradigma

 Primeiramente gostaria de dar uma breve explicação, nesse começo de blog, eu farei aos poucos uma apresentação sobre minhas idéias, minhas concepções e experiências na Universidade. Não tenho certeza da abrangência que este meio de comunicação  pode alcançar, então pensei em realizar uma "apresentação" , através desses primeiros posts.
Segundo semestre de 2009, ingresso na Universidade, cheio de dúvidas, anseios, expectativas que ao longo desses quatro semestres de curso fui convivendo. Como todo recém ingresso no curso de direito, queria logo pegar o código, sair aplicando leis, sabendo obter respostas jurídicas para as vicissitudes ( homenagem a Rafael D’avila) do dia a dia .
A empolgação tem um freio quando ao realizar a matrícula percebemos que no 1° semestre iremos estudar apenas matérias introdutórias, e muita filosofia, antropologia, sociologia. Existe uma ênfase muito grande na formação humanística no começo de curso. Gostaria de ter a maturidade acadêmica que possuo hoje, para ter aproveitado ao máximo as análises e compreensões sobre a vida, durante as aulas e discussões, que estão diretamente ligadas as funções exercidas por todos operadores do direito.
Não estudo uma ciência na qual o objeto de estudo está a parte. Um físico não se encontra dentro nem é parte da construção do fenômeno que estuda, diferentemente das ciências humanas, onde todos somos objeto e partícipes de toda e qualquer obra do conhecimento constatado.
Primeiros dois semestres passados, um certo trauma em relação as matérias propedêuticas, eu estava cada vez mais inclinado para a dogmática, o direito material era minha preferência. Muito se deu em relação a não adaptação aos métodos de ensino e avaliação do meu professor de Teoria do Direito.  Eu sabia da importância da filosofia e hermenêutica, porém não tinha animo em me aprofundar nessa busca por conhecimento. O jurista não pode se furtar de buscar meios justos para realizar seus julgamentos, o positivismo kelseniano apesar de seus benefícios, na minha concepção nunca foi a forma mais adequada de lidar com questões humanas, onde existem diversas variáveis , que o ordenamento jurídico não comporta. É mais ou menos em relação aquela máxima, cada caso é um caso.
Hoje em dia, não só compreendo por inteiro a importância das matérias zetéticas, como tenho prazer em ler, discutir temas com colegas de graduação. Essa metamorfose ocorreu de forma natural e paulatina. Os responsáveis por essa mudança são alguns amigos em especial Fred Costa, Arthur Lopes e Rafael D’avila, apreciadores dessa corrente epistemológica. Sempre observava atentamente os pontos de vista, as discussões, as fundamentações, aquilo foi despertando em mim grande interesse. Posteriormente tive a oportunidade de fazer um curso de férias com um jovem professor, porém grandioso em sua maestria na metodologia do ensino e conhecimento. Faço menção  e agradeço publicamente ao professor Daniel Oitaven por tamanha mudança em minha visão sobre o direito, com ele eu tive uma quebra de paradigma no curso, finalizando , JJ Calmon de Passos, grande mestre, cujo contato infelizmente não pôde ser pessoal, mas sim através de vídeos e entrevista na internet, porém não deixou de cravar sua importância em minha trajetória jurídica.
Gostaria de deixar esse recado, a valorização das matérias propedêuticas, passa pelo ideal de uma justiça mais correta, mais abrangente e mais eficiente. Existem muitas peculiaridades nos litígios judiciais, os chamados hard cases, e a letra da lei não é capaz de por si só, resolvê-los. Recém ingressos, egressos, e graduandos do direito, não fechem os olhos para a filosofia e hermenêutica jurídica. Obrigado a todos que me fizeram acordar do pesadelo dogmático.


Mateus Batista Araújo
Acadêmico de direito da UFBA 4° Semestre

domingo, 17 de abril de 2011

Meu encontro com o Direito

        Esse primeiro post será apenas pra apresentar um pouco sobre como o Direito entrou em minha vida. Voltarei ao ano de 2006, quando eu morava em São Paulo, onde minhas aspirações e projetos estavam todos voltados para aquela que foi a atividade que tomou boa parte do meu tempo, durante um longo período de minha caminhada, o esporte.
        Eu jogava volleyball há praticamente  5 anos, esse universo era meu foco, estava decidido que essa seria minha carreira, sempre neguei a possibilidade de ficar sentando em um escritório, levar uma vida sendentária. Sempre gostei de minha vida atribulada, rotina de treinos, viagens, e por alguma razão eu tinha talento, obtive bons resultados e aquele ano de 2006 foi inesquecível.
       Saindo de Salvador, deixei pra trás amigos, família, cultura, em busca de um sonho em uma terra muito longe, muito diferente, e pra quem dizia não sentir saudades,  me apeguei muito a qualquer elemento que  lembrasse minhas origens, eu adorava ser reconhecido como O BAIANO, tio bahia ( pros meninos de categorias menores rs rs rs ).
       Final de Temporada, ano produtivo, amadurecimento incalculável, amizades feitas para toda a vida, campeão e com um convite para jogar no atual campeão brasileiro da categoria adulta. Eu não acreditava, mas estaria indo pra floripa, inclusive faltei a formatura de meu irmão por conta dessa viagem que acabou não vingando.
      Apalavrado que renovaria o contrato ,meu time de São Paulo havia melhorado a proposta vinda de floripa, venho para o verão de salvador,  praia, acarajé, acordar tarde, sair, curtir minhas merecidas férias. Nesse período, meu irmão havia passado no vestibular, e diversos amigos dele também, ou seja , estavam encaminhando suas carreiras.  Por um momento comecei a analisar se aquilo que havia construído com o volei seria concreto, ou apenas o prolongamento de um sonho de menino? O conhecimento acadêmico sempre foi muito prezado em minha família, meu crescimento foi todo pautado nessa máxima,  exercendo assim ,grande influência na minha decisão.
      O fato é que fiquei duas semanas refletindo, ponderando, uma dúvida que me consumia, seria a decisão mais difícil de minha vida e que a mudaria em todos os sentidos. Decidido, resolvo voltar aos estudos, cursar Direito, uma decisão até hoje não compreendida por amigos e família, mas que hoje considero 100% acertada.
     Após completar o terceiro ano colegial, e um ano de cursinho, entrei no tão almejado curso de Direito da Universidade Federal da Bahia, começa ai a carreira jurídica de um garoto sonhador, muitas dúvidas e questionametos, que ao longo da minha vida acadêmica eu vou diluindo e construindo minha trajetória ...
     Pessoal esse foi meu primeiro post, primeira experiêcia com blog, aos poucos vou me familiarizando, melhorando esse canal de comunicação, pretendo atualizá-lo pelo menos uma vez na semana, e vou me esforçar para fazê-lo.





Mateus Batista Araújo
Acadêmico de direito da UFBA 4° Semestre