quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Pesquisar para Mudar ( Pesquisa Acadêmica)

                                                               

O curso de Direito é bastante peculiar, apresenta características muito íntimas e que o diferencia das demais instâncias do saber. Não o considero melhor nem pior que outras ciências, e o direito é uma ciência? Deixo a cargo da epistemologia essa discussão. A vida me ensinou que conhecimento nunca é demais, e não deve ser negligenciado de maneira alguma.
O Direito é diferente, diferente no sentido de distante, no sentido da falta de interdisciplinaridade. Incomoda-me a falta de diálogo entre o Direito e as outras áreas do conhecimento. Nos cursos jurídicos de graduação vemos pontualmente matérias como Sociologia Jurídica, Psicologia Jurídica, porém são, em sua maioria, desprezadas pelo corpo discente.
Acredito que saber direito é necessário para aprendermos melhor sobre a convivência humana, balizados ou não por suas fontes, sejam elas formais ou informais. Em minha opinião  a razão da existência do direito pressupõe uma relação interpessoal, para regularmos essa convivência precisamos não só saber das leis. Faz-se necessária uma compreensão do ser humano enquanto indivíduo, pessoa, e como fenômeno social.
Será que estamos aprendendo em sala de aula a lidar com os problemas, que iremos nos defrontar quando num futuro próximo, operadores do direito nos tornarmos?  Estudar 8 matérias de direito Civil, mais 6 de direito Penal, onde se olha muito para o código e pouco para a sociedade, não nos torna capazes de resolver conflitos de maneira justa, eficiente e dificulta-nos  a busca pela efetivação da justiça. E existe uma solução para esse problema? Qual seria ela?
A resposta eu venho buscando ao longo desses cinco semestres de graduação, com o pouco de conhecimento que venho adquirindo através de muito estudo e reflexão, acredito que a mudança passa muito perto do fomento ao pensamento crítico.  Reproduzir conhecimento é muito diferente de produzir conhecimento. Pensar não tem preço, construir um raciocínio, defender uma idéia oriunda de uma reflexão própria tem um poder libertador.
No ambiente acadêmico a saída para esse dilema, a mudança da reprodução para a construção do conhecimento, está muito alinhada com as pretensões da pesquisa acadêmica.
Fundamento essa argumentação partindo de um dos elementos da pesquisa, que é o problema. Não se faz pesquisa sem pensar um problema, não se faz pesquisa sem utilizar referências, não se produz conhecimento acadêmico de verdade sem reflexão e questionamento ao conhecimento posto, seja ele majoritário ou não.
Escrever um artigo, uma tese, é muito mais do que reproduzir um enunciado extraído de uma interpretação vazia do ordenamento jurídico e discorrer em uma prova. É se aprofundar em um tema, é ultrapassar a barreira do vazio, é esquecer a condição dogmática de certas opiniões doutrinárias. Academia é debate, e para debater é preciso conhecer e saber argumentar.
A partir do momento que os cursos jurídicos passarem a focar a formação do alunado no pensamento crítico, ai sim poderemos pensar em mudança. Formar um exército de bacharéis pensantes é uma arma muito poderosa.  Será que seria um interesse para quem está no topo dessa cadeia? Os poucos formadores de opinião, que ecoam seus discursos e são reproduzidos como verdades absolutas querem perder esse posto?
Isso é assunto para um próximo post. Fico feliz em saber que em minha Universidade ainda existe professor mágico. Porque só tirando um coelho da cartola para incentivar a pesquisa acadêmica diante de tantos empecilhos. 

Andem contra a maré, se existe uma unanimidade , desconfie dela, concorde, mas investigue antes!!