Passeando pelo Linkedin em alguns grupos interessantíssimos de discussão sobre recrutamento e seleção fiquei imaginado sobre o verdadeiro conceito de meritocracia, analisando o mesmo em um viés da esfera profissional.
No campo do direito existem duas vertentes muito divergentes e quiçá antagônicas, uma esfera pública e outra privada. Para a ocupação de cargos públicos, por exemplo, existe um conceito estanque de meritocracia onde o mesmo só faz presente, segundo o entendimento pacífico desse público alvo, com a aplicação das provas de concurso, os famosos certames. Mas será que uma prova é capaz de medir capacidade e merecimento de determinada pessoa? Um maior número de fases de um concurso é capaz de suprir as deficiências de uma seleção que muitas vezes só tem aspectos objetivos?
De pronto apresento logo uma grande contradição, sou muito cético em relação ao conceito de que merecedor de um cargo como Juiz, Promotor, Procurador, cargos esses que lideram os rankings de preferências dos estudantes de direito da atualidade, é aquele que mais questões acerta em uma prova, seja ela de 1 fase objetiva ou 15 subjetivas com prova oral. E porque você é contra Mateus?
Acho um pouco estranho, muitas vezes espantado, com a capacidade da administração pública em negligenciar tanto qualidades que o setor privado desenvolve e que poderiam ajudar no melhor funcionamento da máquina pública. Voltando ao cerne do debate e para exemplificar melhor o meu questionamento faço-lhes uma pergunta. Será que o Poder Judiciário e o Estado como um todo é tão especial assim para virar as costas para anos de estudos e pesquisas em Recursos Humanos, psicologia organizacional, recrutamento e seleção, esquecendo de conceitos elementares para o sucesso de qualquer empresa, seja ela pública ou privada, por apenas uma prova? Acredito piamente que não.
Além de saber de legislação, esses futuros operadores do direito precisam de muitas outras habilidades que não são ensinadas nas faculdades. Não é porque o ensino jurídico é arcaico que a seleção precisa se acomodar com essa realidade. A partir do momento que a seleção mudar, os candidatos irão procurar se adaptar às mudanças, não que eu acredite ser essa a melhor solução, e nem o melhor fundamento para a mudança, estou apenas fazendo uma provocação, fomentando o debate.
Na minha realidade de estagiário farei uma comparação bem básica, nas entrevistas de estágio que já participei, já fiz provas de casos concretos, entrevistas com gerentes de recursos humanos, dinâmicas, testes de QI, redação etc. Os amigos que fizeram prova do Ministério Público agora, se não me engano, fizeram uma prova objetiva, nem sei ao certo se teve redação. Será que não existe algo errado?
Não quero com isso dizer que o pessoal da esfera privada é melhor que os da pública. Estou afirmando que a seleção como hoje é feita não premia os melhores, os verdadeiros preparados para os cargos. Imagine se existissem headhunters nos concursos públicos, estudiosos do comportamento, especialistas em recrutamento e seleção, todos focados em achar os melhores e mais preparados candidatos para ocuparem os mais altos cargos da administração pública? Seria um sonho.
Falar que isso daria margem a arbitrariedades, injustiças , excesso de subjetividade ... Sempre vai ter gente reclamando, mesmo nos moldes atuais ainda falam que só passam em alguns concursos com “peixada”.
Acho que se o Estado procurar aprender um pouquinho só com a esfera privada, o princípio da eficiência seria verdadeiramente respeitado, sabendo que o público tem características especiais, mas que elas não o fazem pior por isso, apenas diferente.