Para quem não é do ramo do direito, e eventualmente lê meu blog, vai estranhar um pouco o assunto, e até questionar tamanha a quantidade de vedações em relação a atividades de publicidade do advogado. Sabemos a importância do marketing em todo e qualquer ramo explorado por um empreendedor, publicidade, propaganda, marketing pessoal, são os meios com os quais o seu produto, a sua idéia, o seu serviço desperte o interesse do cliente, o seduza para a compra e se conecte com sua marca.
Não é necessário muito esforço para perceber o talento de nossos amigos que trabalham com a propaganda. No intervalo de nossos melhores programas, vemos a cada dia uma renovação de comerciais incríveis. Quem não tomou schin, depois de Zeca, o famoso garoto propaganda da Brahma, cantar o experimenta? Quantas pessoas não fizeram no nãnãnãnã do carangueijo da Skol? Os profissionais dessa área dão um show de criatividade e prendem a atenção de nós telespectadores, as vezes até rivalizando com a concorrência em seu próprio comercial, fazendo referências e tudo mais.
Sabemos que o “produto” oferecido por um advogado não é igual ao whisky do keep walking, nem o compacto pra que vê, gigante pra quem anda, do carro. A atividade do advogado lida com pessoas, com a efetivação da justiça, e tamanha é a sua importância, e aqui sem querer desmerecer nenhuma outra profissão, merece uma atenção especial, e uma certa regulamentação. Eu não consigo imaginar um advogado na televisão, apresentando preços de sua carta de serviços e falando, cubro qualquer oferta da concorrência. Imagine ai a Quarta do Habeas Corpus? Todas as quartas o seu Habeas Corpus preventivo tem 30% de desconto. Não dá né, gente? E é ai que entram as vedações e a regulamentação que é feita pela OAB, em relação a publicidade na advocacia, mais precisamente no código de ética.
Primeiro gostaria de dizer que sou a favor de uma regulamentação, a ordem dos advogados tem total razão em zelar pela imagem e ética dos profissionais que estão sob sua tutela. Porém acredito que ela se dê de forma exagerada em alguns aspectos , dificultando e muito por exemplo, a inserção nesse mercado disputadíssimo, de muitos novos brilhantes advogados, que não tem ainda um grande nome, ou um currículo exemplar para utilizar em benefício próprio.
Pra se ter uma idéia desse travamento ao qual todos os que exercem sua atividade com ética e responsabilidade segundo os parâmetros estabelecidos pela OAB vou listar algumas proibições. Advogados não podem anunciar seus serviços através de correspondência coletiva, salvo para colegas de profissão, ou pessoas que solicitem ou autorizem previamente, suas placas devem estar de maneira “sóbria”, sem cores vivas, símbolos chamativos, não podem fazer propaganda em outdoor, apresentar tabela de preço em seus serviços. Caso faça uma aparição em televisão, que seja simplesmente para o fim solicitado, sem a realização de uma promoção pessoal, sem referência a suas atividades no escritório ou maneira de atuar, e experiências de sucesso com clientes. Também é vedada a propaganda em rádio e televisão, os anúncios não podem conter fotografias nem o uso de símbolos oficiais e que sejam utilizados pela OAB, não podem fazer referência ao tamanho, qualidade ou estrutura da sede profissional, versar sobre serviços jurídicos de forma a captar clientes indiretamente. Enfim são muitas as proibições.
Mas nem tudo são proibições, e o bom advogado com certeza está preocupado com questões sobre o marketing jurídico, que está diretamente associado ao marketing pessoal. Um advogado com especializações, mestrado, doutorado, certamente apresenta uma qualificação profissional melhor que o simples bacharel, e participar de eventos acadêmicos, publicar obras, lecionar em universidades de renome, são maneiras do advogado projetar sua carreira, desde que não seja esse o seu foco principal. Sou totalmente contra profissionais que fazem qualquer tipo de especialização apenas para colocar no currículo, ou ensina em universidade por status, não é isso, estou apenas informando que profissionais dedicados a carreira acadêmica possuem reconhecimento e ganham projeção.
Outra alternativa é ser atuante na Ordem dos Advogados, onde pode existir uma indicação de clientes, praticar o networking, fomentar e alimentar a rede de contatos, abrir e participar de fóruns de discussão, apresentar projetos e parcerias, respeitando as limitações da OAB, fidelizar seus clientes, atender suas demandas com honradez, presteza também atrai mais clientes e estes acabam fazendo a chamada propaganda boca a boca.
Diversas são as maneiras de conseguir construir um nome de respeito no ramo jurídico, nenhuma delas é fácil, são necessários anos de trabalho bem feito, dedicação, e que um erro pode custar muito caro. Mas só quem tem o prazer de ser bem reconhecido, de exercer sua profissão e ser bem sucedido nela, está disposto a enfrentar as dificuldades da carreira em prol de uma tranqüilidade no futuro.
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